domingo, 21 de junho de 2009

O POVO CELTA



Os celtas provavelmente se originaram na região sudoeste da Alemanha, leste do Reno, no fim do período de Bronze I (2.500 a 1.900 a.C.)
Espalhou por grande parte da Europa entre os séculos VI a.C. ao século I a.C., atingindo o maior poderio do século VI a.C. ao século III a.C. Não são conhecidos documentos da literatura céltica, mas fontes irlandesas e galesas posteriores revelam muito da sociedade e do mundo de vida dos celtas. Povo fundamentalmente agrícola, com artesanato desenvolvido, em alguns lugares se dedicava à fundição de ferro e agrupava-se em pequenas povoações. Sua unidade social, baseada no parentesco, era dividida entre uma nobreza guerreira e uma classe de agricultores. Da nobreza, recrutavam-se os sacerdotes e os Druidas, que ficavam acima de todos. A arte céltica mistura figuras humanas estilizadas com desenhos abstratos de arabescos e espirais. A influência linguística celta permanece no gaélico (Irlanda, Escócia e ilha de Man) e no galês. A influência dos celtas declinou durante o século I a.C. devido à expanção do Império Romano e às incursões de povos germânicos.

A Expansão Celta
A expansão celta atingiu o clímax no século III a.C. Não se sabe com certeza nem as causas nem os métodos de suas andanças. Supõe-se que partiam em levas sucessivas, cada qual numa direção em busca de terra para habitar.
O avanço dos celtas atingiu seus limites máximos no século III a.C. Após esta data, enfraquecem. Seus vizinhos contêm os celtas gálatas na Ásia Menor e, antes mesmo da intervenção romana, a monarquia de Pérgamo estabeleceu sobre eles uma espécie de protetorado. Os citas, os getas e os dácios empurraram os celtas para a atual Hungria. No Mediterrâneo, os romanos, após a vitória de Tálamon em 225 a.C., empreenderam a conquista e depois a colonização da Gália Cisalpina; puseram fim à independência dos celtiberos, cujo último reduto, Numância, sucumbiu em 113 a.C. Finalmente, sob o comando de Júlio César, derrotaram definitivamente os gauleses transalpinos em 51 a.C., comandados por Vercingétorix. O Imperador Augusto anexou ainda a Gálácia (25 a.C.) e submeteu as tribos alpinas e do Danúbio. Os bretões que, por sua vez, se encontravam estabelecidos nas ilhas Britânicas só foram conquistados por Roma no correr do I século d.C.
Esse foi, pois, o fim dos celtas antigos que, embora tivessem tantas terras em seu poder, nunca chegaram a constituir um império com unidade política.
No século I a.C. todos os seus domínios - exceto a Irlanda e a Escócia - estavam submetidos a Roma.
Apesar de tudo, coube aos celtas o importante papel de difundir em diversas regiões a cultura de Hallstatt (aproximadamente 1.000 a 600 a.C.), primeira cultura metalúrgica, hábil na construção de novas e terríveis armas de ferro (espada, punhais, lanças). Por volta de 500 a.C., mais para o ocidente se desenvolvia e difundia a cultura de La Tène, considerada, metarlurgia mais elaborada e refinada. Mas as suas armas eram muito grandes e pesadas, e os celtas não combatiam em formação militar. Isso talvez explique o fato de terem sido vencidos, com relativa facilidade, pelas legiões romanas, mais disciplinadas e portadoras de armas mais leves e manejáveis. Além disso, os soldados gauleses não usavam elmos nem armaduras, protesões conferidas unicamente aos chefes.


A Arte Céltica
A arte céltica é uma das mais ricas manifestações da chamada "arte bárbara". Os celtas desenvolveram em metal (ouro, bronze e prata), em função de três finalidades: a militar, a doméstica e a do adorno pessoal. Embora predominasse o uso do metal, não se excluíram a cerâmica, a pedra, o marfim, o osso, o vidro, o coral (depois substituído pelo esmalte) e o âmbar. Estilizaram animais e plantas, criando esculturas com motivos fantásticos. Essencialmente decorativa, sem procurar imitar nem idealizar o real, sua arte caracterizou-se por tendências geométricas e simétricas.

Línguas Célticas
Línguas Célticas, importante subdivisão das línguas indo-européias. Há dois ramos principais: o celta continental representado pelo gaulês, que se falou na Europa Central e na Ásia Menor antes da Era Cristã; e o insular que deu origem às modernas línguas célticas. Este último se dividiu em dois: gaélico (a que pertencem o irlandês, o escocês e o manquês); e o britânico (bretão, galês e córnico).

Os Druidas formavam uma classe social do povo celta, herdeira e guardiã das tradições religiosas. Eram respeitados por seus conhecimentos de astronomia, direito e medicina, por seus dons proféticos, e como juízes e líderes. Acreditavam na imortalidade da alma, na perfectibilidade indefinida da alma humana, numa série de existências sucessivas. Sua instituição, o druidismo foi um poderoso fator de unidade do mundo celta e, por isso, combatida pelos romanos durante as conquistas.
A filosofia dos druidas ou as leis das almas (leis de Tríades), reconstituída em sua imponente grandeza, patenteou-se conforme às aspirações das novas escolas espiritualistas. Como os atuais espíritas, os druidas sustentavam a infinidade da vida, as existências progressivas da alma, a pluralidade dos mundos habitados.
Destas doutrinas viris, do sentimento da imortalidade que delas dimana, é que o povo celta tiravam o espírito de liberdade, de igualdade social e heroísmo em presença da morte. Essa luz intensa que imundou a terra das Gálias foi apagada há mais de vinte séculos atrás pela força romana, expulsando os druidas, abriu praça a padres cristãos. Depois, vieram os Bárbaros e fez-se a noite sobre o pensamento, a noite da Idade Média, longa de dez séculos, tão carregada que parecia impossível conseguissem virá-la os raios da verdade. Na Idade Média, Joana D'Arc que já vivera, nos tempos idos, como celta, trousse em si a intuição direta das coisas da alma, que reclama uma revelação pessoal e não aceita a fé imposta; são faculdades de vidente, peculiares a raça céltica.
Só pelo uso metódico dessas faculdades se pode explicar o conhecimento aprofundado que os druidas tinham do mundo invisível e de suas leis. A festa de 2 de Novembro, a comemoração dos mortos, é de fundação gálica. A data 31 de Outubro era considerado como último dia do ano e acreditavam que os mortos vinham visitá-los. Para confundi-los, vestiam-se de fantasias e essa é a origem de Halloween. Os gauleses praticavam a evocação dos defuntos nos recintos de pedra. As druidisas e os bardos obtinham os oráculos.
A História nos ministra exemplo desses fatos. Refere que Vercingétorix se entretinha, à sombra da rama dos bosques, com as almas dos heróis, mortos pela pátria. Como Joana, outra personificação da Gália, o jovem chefe ouvia vozes misteriosas. Um episódio de sua vida prova que os gauleses evocavam os Espíritos nas circunstâncias graves. A pequena distância da costa sinistra, em meio de parcéis que a espuma dos escarcéus assinala, emerge uma ilha, outrora recamada de bosques de carvalho, sob cujas frondes se erguiam altares de pedra bruta. É Sein, antiga morada das druidisas; Sein, santuário do mistério, que os pés do homem jamais conspurcavam. Todavia, antes de levantar a Gália contra César e de, num supremo esforço, tentar libertar a pátria do jugo estrangeiro, Vercingétorix foi ter à ilha, munido de um salvo conduto do chefe dos druidas. Lá, por entre o fuzilar dos relâmpagos, diz a legenda, apareceu-lhe o gênio da Gália e lhe predisse a derrota e o martírio.
Certos fatos da vida do grande chefe gaulês não se explicam senão mediante inspirações ocultas. Por exemplo, sua rendição a César, próximo de Alésia. Qualquer outro Celta teria preferido matar-se, a se submeter ao vencedor e a servir-lhe de troféu no triunfo. Vercingétorix aceita a humilhação, a fim de reparar pesadas faltas, que cometera em vidas antecedentes e que lhe foram reveladas.
Enfim, após lenta e dolorosa gestação, a fé dos antigos, rejuvenescida e reconduzida, renasce em novos moldes, através do Allan Kardec, inspirado pelos Espíritos superiores, restaurou, dilatando-lhes o plano, as crenças dos antepassados. É verdadeiramente o espírito religioso da Gália que revive nesse chefe de escola. Nele, tudo lembra o druida: o nome que adotou, absolutamente céltico, o monumento que, por sua vontade, lhe cobre os despojos materiais, sua vida austera, seu caráter grave, mediativo, sua obra inteira. Allan Kardec, preparado em existências precedentes para a grande missão, não é senão a reencarnação de um Celta eminente. Ele próprio o afirma na seguinte mensagem obtida em 1909: "Fui sacerdote, diretor das sacerdotisas da ilha de Sein e vivi nas costas do mar furioso, na ponta extrema do que chamais a Bretanha."
Os druidas, possuidores de poderes místicas, hoje conhecido como mediunidade, estudavam durante 20 anos todos os conhecimentos mais adiantados da época e eram espíritos eminentemente elevados para o tempo onde maioria eram bárbaros. Com isso, pode até arriscar a opinar que muito dos Espíritos elevados de hoje, tenham estagiado como druidas ou em alguma outra comunidade de característica semelhante.
LEIS DE TRÍADES

Leis das Almas
O princípio espiritual que nos anima precisa descer a matéria (encarnação) para se individualizar, para constituir e depois desenvolver, por um moroso trabalho secular, suas faculdades latentes e o eu consciente. De degrau em degrau, esse princípio engendra para si organismos apropriados às necessidades de sua evolução, formas perecíveis que abandona ao cabo de cada existência (morte física), como trajo usado, para buscar outras mais belas, melhor adaptadas às exigências de suas tarefas, cuja importância cresce de uma para outra.
Enquanto lhe dura a ascensão, ele se mantém solidário com o meio em que ocupa, preso aos seus semelhantes por seretas afinidades, concorrendo para o progresso de todos, ao mesmo tempo que para o seu próprio progresso, todos trabalham.
Passa de vida em vida, pelo crisol da humanidade, sempre mais amplo, sempre diversos, a fim de adquirir virtudes, conhecimentos, novas qualidades. Quando auferiu de um modo tudo o que lhe ele podia dar em ciência e em sabedoria, eleva-se ao convívio de melhores sociedades (mundos mais elevados), a esferas mais bem aquinhoadas, arrastando consigo todos aqueles a quem ama.
Tais são os princípios básicos da filosofia druídica:
Em primeira linha, a unidade de Deus. O Deus dos Celtas tinha por templo o infinito dos espaços, ou as guaridas misteriosas dos grandes bosques e era, acima de tudo, força, vida, amor. Os mundos que marchetam as regiões etéreas são as estações das almas, na ascensão para o bem, através de vidas sempre renascentes, vidas cada vez mais belas e felizes, segundo os méritos adquiridos. Íntima comunhão une os vivos da Terra aos defuntos invisíveis, mas presentes. Este preceito enriquece o espírito de superiores noções sobre o progresso e a liberdade. Graças a ele, o Celta introduziu no mundo o gosto pelo ideal, coisa que jamais conheceu o Romano, amante das realidades positivas. O Celta é inclinado às noções nobres e generosas. Da guerra, aprecia a glória, não o proveito. Pratica a abnegação, despreza o medo, desafia a morte.
BRETANHA

Lá nos confins do continente, como imensa cidadela contra qual o mar e a tempestade se empenham num interminável, assalto, estende-se uma terra singular, austera, recolhida, propícia ao estudo, às graves meditações.
Ao centro, em vasto planalto, se alongam a perder de vista, charnecas tapizadas de róseos tojos, de douradas giestas, de juncos espinhosos. Além, os campos de trigos alternam com as macieiras acaçapadas; bordam o horizonte bosques de carvalho, tão espessos que nenhum raio de sol lhes atravessa as frondes.
É a Bretanha, o santuário da Gália, o lugar sagrado, onde alma céltica dorme um pesado sono de vinte séculos.
É a terra do Amor! Ar-mor-ic, país do mar, onde se escondeu por detrás da tríplice muralha das florestas, das montanhas e dos arrecifes, a alma insondável, a índole melancólica e sonhadora da Gália. Somente lá encontra-se, em toda a sua pureza, a raça valorosa, tenaz e forte, cujos feitos estrondearam pelo mundo inteiro. Encontra-se sob seu duplo aspecto: o que César descreveu nos "Comentários" o aspecto gaélico, caracterizado pelo espírito vivaz, lesto e versátil, e o aspecto kímrico, o mais moderno ramo da gente céltico, grave por vezes triste, fiel as suas afeições, apaixonado pelo que é grande, guardando ciosamente, nos recônditos escaninhos da alma, a arca santa das lembranças.
Essa raça nada pôde fatigá-la; resistiu 200 anos pelas armas, como disse Michelet, e mil anos pela esperança. Vencida, ainda assombra os vencedores. Entretanto, sob dar-se. Mediante um casameento, a França assimilou-a.
A alma céltica tem por santuário a Bretanha; porém, as vibrações do seu pensdamento e da sua vida se propagam até muito longe, por sobre toda a região que foi a Gália, do Escalda aos Pirineus, do oceano ao país dos Helvécios. Criou para si, em todos os pontos do território nacional, retiros ocultos, onde, latente, vive o pensar das idades; o planalto central, a Ar-vernie, a "alta morada"; o Morvan, as escabrosas Cevenas, as florestas da Lorena.
Que é então a alma céltica? É a consciência profunda da Gália. Recalcada pelo gênio latino, oprimida pela brutalidade dos francos, desconhecida, olvidada por seus próprios filhos, a alma céltica sobrevive através dos séculos.]



ESSE TEXTO NÃO E MEU!

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