domingo, 4 de outubro de 2009

A RAINHA HATSHEPSUT (1503-1482 aC)





O Egito faraônico produziu uma série de mulheres excepcionais, sendo a Rainha Hatshepsut, a mais famosa delas. Muitas mulheres de faraós tinham tido um lugar ao Sol ao lado de seus maridos e somente duas delas haviam governado por breve tempo, mas Hatsheputs foi a primeira que se arrogava a divindade e a realeza, usando Dupla Coroa, que indicava a soberania sobre as duas regiões do Alto e Baixo Egito.

Há estátuas que a mostram com atributos masculinos da realeza. Em algumas, chega a usar a tradicional barba postiça dos faraós. Este faraó feminino abandonou a guerra e fez o Egito voltar a atividades pacíficas, tais como a construção de grandes monumentos e manutenção das rotas de comércio com o exterior, que tinham sido fechadas durante o domínio dos hicsos.


HISTÓRIA DE AMOR FATAL

Hatshepsut era a filha do faraó Thutmose I e sua rainha Ahmose.

Hatsheputs foi esposa de Tutmés I, mas não tiveram filhos homens, portanto, após a morte do faraó, subiu ao trono um de seus filhos ilegítimos, que adotou o nome de Tutmés II e que para ser aceito foi obrigado a casar-se com Hatshepsut.

Cabe colocar que era costume os faraós casarem-se com irmãs, ou outros membros da família, com o intuito de preservar a pureza da casta. Na verdade, no Egito, o matrimônio não tinha caráter sagrado e as pessoas não realizavam cerimônias especiais. O rito nupcial inexistia, mesmo para os faraós. O mais freqüente era que no dia do casamento os familiares da noiva levavam à casa do noivo os bens que formavam o dote. O que não podia faltar, entretanto, era a festa, com muita cerveja e iguarias. Á mesa do faraó tomava-se apenas vinho e os pratos de carne de hiena constituíam o manjar favorito. Mas o que existia, principalmente entre a nobreza, era a infidelidade. Mas hoje sabe-se, que o adultério no Egito era castigado com a morte. Somente os faraós estavam autorizados a ter quantas esposas quisessem, além de possuir um farto harém de concubinas.

Quando Hatshepsut se torna viúva novamente, seu segundo marido foi envenenado como o anterior, seu enteado Tutmés III, que tinha direito de subir ao trono, era jovem demais para governar. Sendo assim, Hatshepsut serviu a princípio como regente. Hatshepsut era uma mulher de caráter extraordinário. Parece ter tido tanta força política quanto carisma, além de saber controlar habilmente o Clero de Amon, sendo assim, num dado momento, conseguiu usurpar o trono de Tutmés III e se tornar, com direito a todas as honras, o Faraó do Egito. Ao contrário do que viria a ocorrer no Período Ptolomaico; as mulheres não podiam ocupar o cargo de Faraó. Não eram nem sequer Rainhas, eram, no máximo, a esposa do Rei. Por isso, a ascensão ao trono de Hatshepsut foi um fenômeno tão importante dentro do contexto político nacional.

Ao que parece, Hatshepsut conseguiu convencer o Clero de Amon a ver nela a verdadeira encarnação de Amon-Ra e, sendo assim, a herdeira do trono. Ela tomou para si o cajado, o mangual, as coroas e até mesmo a barba Reais tornando-se o novo Faraó.

Hatshepsut, conta-se, era desde a adolescência apaixonada por Senmut, grande escultor e arquiteto, que nesta época ostentava mais de 80 títulos oficiais e que deve ter sido o seu assistente de maior confiança. Conspira-se, inclusive, que viveram juntos mesmo quando a rainha estava casada.

Hatshepsut, governou como regente por 22 anos, em companhia de Senmut, que construiu em louvor a sua amada o mais belo monumento do Vale das Rainhas, o templo de Dier-el-Bahari. Seu nome pode ser lido em uma rara e formosa inscrição.

Durante o reinado de Hatshepsut, renasce a expressão artística, se produzem novos tipos de escultura e começa a prática de escrever os textos funerários (Livro dos Mortos) sobre papiros. Realizou expedições comerciais à terra de Punt, um país situado na costa da África, ao qual se chegava pelo Mar Vermelho, provavelmente ao norte da Somália.

Uma das provas mais cabais da grandeza de Hatshepsut foi a sua capacidade de manter por tanto tempo sob o seu poder um homem do gabarito de Tutmés III. Tutmés tinha inteligência, visão e energia. Iria tornar-se o Alexandre Magno do Egito, o criador do império egípcio. Entretanto, por mais de 20 anos viveu à sombra da mulher de espírito forte que era ao mesmo tempo sua madrasta e tia. Por fim, conseguiu o apoio de que precisava para derrubá-la e vingativo, destruiu grande parte do templo destinado a perpetuar a memória da rainha. Era muito comum no Egito suprimir da história o nome de um predecessor desmoralizado. Mas nem sempre essa providência cumpria o seu objetivo. Como acontece quando se passa a borracha em alguma coisa escrita a lápis, o cinzel deixava quase sempre visíveis as inscrições originais.

No templo e Hapshepsut em EL-Bahri de Beir, perto de Luxor no Vale dos Reis, o nascimento e o coroação da Rainha são descritos em pinturas e outros trabalhos de arte. Uma outra realização, descrita também através das pinturas vívidas, é o transporte de dois obeliscos de granito, ao Templo de Karnak. Os obeliscos foram usados como monumentos religiosos em Egito antigo.




Esta poderosa e admirável mulher, Hatshepsut, desapareceu misteriosamente, possivelmente em 1458 a.C, quando Tutmés III tornou-se faraó. Acredita-se que Hatshepsut tenha morrido de morte natural com mais ou menos 55 anos.

Hatshepsut é uma personagem extraordináriamente importante, pois representa o poder da mulher em uma sociedade totalmente dominada por homens. No fundo, é um tema bastante atual, muito embora esta história tenha acontecido há milhares de anos, com os prejuízos atávicos próprios desta sociedade.

A sociedade atual é carente de mulheres que se disponham a contribuir com o aspecto mais elevado de sua feminilidade: o amor altruísta, a compaixão, o respeito pela vida, com os quais elas estão mais familiarizadas e podem expressar com maior facilidade do que os homens. É desejável para as mulheres, portanto, envolver-se na vida social e política. Se elas escolherem assim, poderão fazer fazer isso enquanto continuam a desempenhar papéis femininos tradicionais em atividades de cunho social. A sociedade deve respeitar e apreciar uma contribuição tão valiosa.

O fato de uma mulher dedicar a maior parte do tempo a certos papéis não deve impedi-la de se considerar igual ao homem. Não é uma questão de superioridade ou inferioridade. Cracterísticas psicológicas masculinas e femininas, muito embora dessemelhantes, são do mesmo valor. Isto é um fato.

As mulheres estão certas em protestar contra atitudes preconceituosas que há muito tempo vigoram na sociedade. O cuidado é que com o protesto, não pode-se perder a perspectiva. Pode-se ser destrutivo e não construtivo. Conflitos e exageros podem ser entendidos psicológica e históricamente. O ideal é que permanecessem dentro dos limites tão construtivos quanto justos.
 
 
Osiryan

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